A repetição desses números, em sequência, forma mais do que uma tendência estatística. Configura uma narrativa. E não se trata apenas de metodologia questionável. Trata-se da construção deliberada de uma percepção pública artificial, uma tentativa de gerar um clima de vitória inevitável antes mesmo da largada oficial da corrida eleitoral.
Enquanto isso, a rejeição ao lulopetismo se manifesta de forma visível, espontânea e incontrolável em espaços públicos, eventos culturais, manifestações políticas e interações digitais. Qualquer monitoramento básico de redes sociais materializa o desgaste da imagem do presidente, seja pela crise econômica, seja pela deterioração de serviços públicos, seja pela percepção crescente de autoritarismo judicial e aparelhamento institucional.
A desconexão entre os dados das pesquisas e o sentimento popular exige mais do que indignação. Exige ação. A instauração de uma CPI das Pesquisas Eleitorais no Congresso Nacional se impõe como medida de proteção à integridade democrática. É necessário investigar quem financia esses levantamentos, quais critérios são usados para estratificação de amostras, quais empresas contratam os serviços e de que forma os dados são eventualmente utilizados para manipular manchetes e influenciar indevidamente o eleitorado.
A democracia não sobrevive sem confiança. E essa confiança é abalada quando os termômetros institucionais, em vez de medir, fabricam a temperatura do país. Não se trata de questionar o papel da estatística, mas de rechaçar o uso dela como ferramenta de propaganda.









