Paraíba

Romero deverá ser candidato não por vontade ou escolha, mas obrigação e dever irrecusáveis e intransferíveis



Em seu último dia como prefeito de Campina Grande após um governo muito bem sucedido de oito anos, Romero Rodrigues concedeu entrevista nos estúdios da Campina FM e, ao se despedir do povo da cidade, com a voz embargada lançou no ar um compromisso: “Por Campina Grande, se for possível e preciso, eu faria tudo novamente” (assista no fim do artigo).

Ele mal sabia que aquela promessa se tornaria, quatro anos depois, uma obrigação e dever irrecusáveis e intransferíveis. Romero compreende, não apenas porque é óbvio, mas pelo seu olhar pessoal e pelos números de tantas pesquisas que tem em mãos, que Campina Grande o convoca para uma missão.

A mesma Campina que, conforme ressaltou Romero em sua despedida, fez do magrinho pobre de Galante, menino humilde, aquilo e aquele que ele é hoje. A mesma Campina que o exaltou como vereador campeão de votos, deputado federal também campeão de votos, duas vezes prefeito, inclusive com um resultado retumbante em sua reeleição.

A mesma Campina que escreveu o nome de Romero na História, que deu a ele a honra de praticamente nomear o sucessor, que até hoje não jogou em seus ombros a conta pelo mau governo do escolhido. A Campina cujo povo, da gente simples às autoridades, há mais de ano e meio o aborda e reclama que volte.

Romero está bem em Brasília, no conforto e paz de sua atuação relevante na capital federal, diferente da pressão ininterrupta e sufocante que é ser um prefeito. Certamente, se pudesse, continuaría lá, inclusive colaborando com a cidade. Romero, sem dúvida alguma, não pretendia se indispor com ninguém, sobretudo aliados históricos.

Todavia, a vida impõe realidades que não permitem opções. Um “não” de Romero ao chamamento de Campina seria um desprezo à cidade e uma traição ao compromisso e ao dever de Romero para com seu povo, coisa totalmente incompatível com a figura humana e a liderança que ele é.

Foi assim, como homem e como líder, que Romero, com a coragem de poucos, abandonou o gabinete seguro do Palácio do Bispo e foi para as ruas todos os dias nos tempos assombrosos da pandemia, quando muitos falastrões eloquentes se esconderam em seus casarões.

Foi assim que a imagem icônica de um Romero com o rosto cansado cheio de fuligem foi registrada: ele lá, no meio da multidão quando um incêndio atingiu parte do Parque do Povo. Era o prefeito de Campina, mas, antes de tudo, um homem de coragem, um cidadão de Campina, um servidor da cidade, um líder do seu povo, um ser humano.

Romero terá que ser candidato, não contra quem quer que seja, não por querer, por vontade, por pretensões pessoais. E nem mesmo porque, conforme ele bem sabe, sua carreira política estaria irremediavelmente afetada se não atendesse ao chamamento irrecusável.

Romero precisará ser candidato, acima de tudo, por dever isso à própria história, ao compromisso assumido e, principalmente, a Campina Grande que o convoca.

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