A duas semanas das eleiçÔes, os partidos sĂł podem substituir agora candidatos em caso de morte. A regra, assim, dĂĄ vida a uma estratĂ©gia entre as legendas na briga pelas 23 cadeiras da CĂąmara Municipal de Campina Grande: cortar a “cauda” umas das outras.
No jargĂŁo polĂtico, “cauda” refere-se Ă queles candidatos que nĂŁo tĂȘm chances reais de se eleger, mas somam votos importantes para que os partidos atinjam o quociente e elejam parlamentares. Este ano, as legendas estĂŁo precisando de uma “cauda” cada vez mais grossa.
Tudo Ă© matemĂĄtica. Se um partido aparenta votos suficientes em sua nominata para eleger dois vereadores, por exemplo, e uma legenda adversĂĄria consegue fazer alguns nomes da chamada “cauda” desistir, a nominata se enfraquece e pode nĂŁo mais alcançar os nĂșmeros necessĂĄrios para garantir duas vagas.
A operação Ă© relativamente favorecida pelo fato de, em regra, os candidatos que compĂ”em a tal “cauda” serem dados a balançar de um lado para o outro. NĂŁo por felicidade ou para tanger insetos. Muito mais por oportunismo e para atrair boas negociaçÔes.
Muitos sĂŁo, inclusive, profissionais. Isso mesmo. A democracia representativa brasileira, em seu intrincado sistema proporcional, tem gente especialista em ser “cauda”.
Concorrem esperando em algumas possĂveis vantagens: conseguir dinheiro ou benefĂcios imediatos para ficar e fortalecer sua nominata, negociar desistĂȘncia e adesĂŁo a outro candidato ou ir atĂ© o fim e conseguir um cargo nos governos.
Agora, eles estĂŁo em alta. “Cauda” pra cima. E cada partido olhando para o rabo do outro.
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