O ex-governador Anthony Garotinho (Republicanos) desistiu nesta segunda-feira de um recurso que havia apresentado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Na véspera, seu nome havia constado nas urnas como candidato a governador do Rio, mas “sub judice”, o que fazia com que seus votos fossem contabilizados. Agora, com a desistência, Garotinho aceita a negativa do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ) à sua candidatura — por entender que seus direitos políticos estão suspensos por uma condenação por improbidade administrativa —. O movimento, então, abre caminho para a vitória de Douglas Ruas (PL) ainda no primeiro turno, que atingiria mais de 50% dos votos se os do candidato do Republicanos forem excluídos.
— Se ele (Douglas Ruas) vai ser eleito em primeiro turno, é uma decisão do Tribunal. Eu estou tomando uma decisão política — afirmou Garotinho em seu escritório, na Glória, Zona Sul do Rio.
Com o total das urnas apuradas, Douglas Ruas alcançou 49,2% do eleitorado, ante 42,72% de Eduardo Paes (PSD). Já Garotinho teve 3,1% dos votos, percentual que, se descartado, dá vitória ao candidato do PL. Em entrevista coletiva nesta tarde, Garotinho relatou ainda ter escrito ainda no domingo de eleição uma carta de renúncia desistindo de seu recurso.
— Que o povo arque com a consequência da escolha que fizeram. Estou abrindo mão do meu recurso, meus votos serão invalidados — pontuou, destacando que faria o mesmo se o primeiro colocado fosse outro. — Se fosse o Eduardo Paes, eu faria a mesma coisa.
Garotinho também afirmou que, em caso de segundo turno, não vai apoiar nenhum dos dois candidatos:
— Não vou me meter na campanha nem pedir voto para ninguém.
Anúncio é feito após caso chegar no TSE
Após entrar com uma petição para ter prioridade — por conta da idade, de 66 anos — para que o seu caso fosse logo remetido do TRE-RJ para o TSE, Garotinho viu o pedido ser atendido às 10h30 desta segunda-feira. Pouco mais de três horas após a movimentação, no entanto, a comissão de sete advogados que defendem o ex-governador enviaram um termo de desistência para a Corte Superior.
Na nova petição enviada ao TSE, a defesa de Garotinho argumenta que a manifestação é “voluntária, consciente e desprovida de qualquer vício de vontade”. Os advogados também pontuam que o “recorrente pode desistir do recurso a qualquer tempo, independentemente da anuência da parte recorrida”.
Nas vésperas do 1º turno, o então primeiro colocado das pesquisas, Eduardo Paes, era o principal interessado no julgamento do caso. Tanto que, no fim da última semana, o ministro Floriano de Azevedo Marques, do TSE, determinou que o TRE-RJ encaminhasse “imediatamente” os autos relacionados ao processo ao atender a um pedido da coligação do candidato do PSD.
O Globo









