As contas que não fecham: projeções infladas expõem disputa por vagas na Assembleia da Paraíba
A corrida pelas cadeiras da Assembleia Legislativa da Paraíba já começou nos bastidores, mas um detalhe tem chamado atenção: as contas apresentadas por partidos e federações simplesmente não fecham.
Com apenas 36 vagas disponíveis, lideranças de siglas como Republicanos, Progressistas, Partido Liberal, Partido dos Trabalhadores e Partido Comunista do Brasil projetam, individualmente, bancadas robustas que, somadas, ultrapassam com folga a marca de 50 deputados — um número impossível dentro da atual configuração do legislativo estadual.
Nos bastidores, dirigentes defendem que os cálculos consideram cenários ideais, com bom desempenho eleitoral e aproveitamento máximo dos votos de legenda. No entanto, especialistas em sistema eleitoral apontam que essas projeções ignoram um fator central: o modelo proporcional brasileiro, baseado no quociente eleitoral, que transforma votos em cadeiras de forma competitiva entre partidos e federações.
“O crescimento de um partido necessariamente reduz o espaço de outro. Não é uma conta que pode ser simplesmente somada”, explica um analista político ouvido pela reportagem.
Outro elemento que contribui para a confusão é a atuação das federações partidárias, que reúnem diferentes siglas em uma mesma disputa. Nesses casos, os votos são somados dentro do bloco, e as cadeiras conquistadas são posteriormente distribuídas entre os partidos integrantes, o que torna ainda mais difícil prever resultados isolados.
Apesar disso, o discurso inflado segue como estratégia recorrente. Ao projetar bancadas maiores, partidos buscam atrair candidatos competitivos, fortalecer alianças e demonstrar viabilidade eleitoral.
Na prática, porém, a matemática é implacável: independentemente das projeções, apenas 36 deputados ocuparão cadeiras na Assembleia Legislativa da Paraíba a partir de 2027.
Até lá, as contas podem continuar sendo feitas — ainda que, para muitos, elas sigam não batendo.









