Policial

O Atlas da Violência e a crueldade da desigualdade na Paraíba



A Paraíba até que está aparecendo razoavelmente bem no Atlas da Violência 2024, elaborado pelo Ipea (Instituto de Política Econômica Aplicada), órgão do Ministério da Justiça, sobretudo, no quadro de evolução das estatísticas de segurança pública nos 10 anos que vão de 2012 a 2022.

É possível se verificar evolução positiva em praticamente todos os quesitos. Em relação a taxa de homicídios, por exemplo, houve uma redução de 31,3%. Em 2012, a taxa de mortalidade era de 39,6 por grupos de 100 mil habitantes. Caiu para 27,2%.

Na região Nordeste, a Paraíba teve o terceiro melhor desempenho nesse quesito, ficando atrás apenas do Maranhão, que ficou com taxa de 27,1, e do Piauí, com taxa de 24,1.

As estatísticas apontam melhora do Estado em praticamente todos os itens avaliados no Atlas da Violência, mas, mesmo com a evolução positiva, alguns dados revelam realidades absolutamente cruéis e que precisam ser enfrentadas com urgência.

Destaque-se algumas dessas realidades.

A taxa de mortalidade entre jovens de 15 a 29 anos é quase o dobro da taxa geral. No mapa divulgado, está em 53,0 mortes por grupos de 100 mil (2022). Muito elevada, mas foi pior. Em 2012, era de 87,5 mortes por 100 mil.

Entre jovens de 14 a 19 anos, a taxa de mortalidade era de 85,9 em 2012, evoluiu para 44,1 em 2022, porém, ainda assim, é assustadora, se assemelha à áreas de conflitos armados.

A profunda desigualdade social, estupidamente discriminatória, também aparece desenhada no Atlas da Violência. A taxa de homicídios de negros era de 51,3 em 2012 e caiu para 32,6 em 2022, uma redução de 36,5%. Parece bom, não? O desastre aparece na comparação com a taxa de mortalidade de não negros: 6,7 em 2012 e 10,7% em 2022.

A barbaridade se confirma com os números de homicídios de mulheres negras e não negras. Em 2012, foram assassinadas 119 mulheres negras e apenas 8 não negras. Em 2022, foram assassinadas 65 mulheres negras e 14 não negras.

Esses números, assim como muitos outros contidos no Atlas, denunciam eloquentemente a crueldade da desigualdade econômica e social reinante na Paraíba e no Brasil. Este é o problema. Não as pautas que estão sendo discutidas e votadas no Congresso ou insufladas na imprensa pelo tal mercado financeiro.

Portal T5