Economia

Ibovespa sobe após IPCA desacelerar no ano; dólar opera sem viés claro

CNN BRASIL

O Ibovespa subia pela manhã desta sexta-feira (10) após divulgação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação oficial do país, referente a abril.

Ainda estão no radar dos investidores os balanços corporativos de Magazine Luiza, B3, CSN e Sabesp.

Por volta das 11:25, a bolsa paulista subia 0,14%, a 128.369,35 pontos.

Os IPCA subiu 0,38% no mês, após alta de 0,16% em março, informou o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Apesar do resultado vir acima da expectativa de 0,35% de economistas consultados pela Reuters, o índice apresentou sinais de alívio.

“O IPCA de abril teve um índice cheio acima do esperado, mas a dinâmica dos núcleos, bens e serviços foi benigna”, avalia Luciano Costa, economista-chefe da Monte Bravo.

Além disso, a margem anual convergiu para a meta da inflação deste ano.

Nos 12 meses até abril, o IPCA seguiu abaixo da marca de 4% ao subir 3,69%, uma desaceleração ante o resultado de 3,93% em março.

O centro da meta é de 3%, com margem de 1,5 ponto percentual para mais ou menos.

“A dinâmica da inflação nos próximos meses e as projeções de inflação do Banco Central para 2025 e 2026 continuarão indicando que o IPCA deverá ficar em torno da meta, o que permite o prosseguimento do ciclo de cortes de juros nas próximas reuniões [do Copom]”, conclui Costa.

Em sua última reunião, o Comitê de Política Monetária do Banco Central optou por desacelerar o ritmo de corte dos juros, para 0,25 ponto, ante as reduções de 0,5 feitas anteriormente. A taxa Selic está atualmente em 10,50%.

Dólar

Já o dólar operava sem viés claro, alternando entre altas e quedas, com investidores realizando lucros após salto da moeda norte-americana na véspera, enquanto os mercados continuavam de olho na política monetária do Federal Reserve e nas divisões dentro da diretoria do Banco Central do Brasil.

Na mesma hora, a moeda norte-americana subia 0,1%, cotada a R$ 5,14.

“Acho que a alta de ontem foi muito acentuada, e é natural um ajuste técnico no dia seguinte”, disse Fernando Bergallo, diretor de operações da FB Capital.

Na véspera, o dólar à vista fechou o dia cotado a R$ 5,1432 na venda, em alta de 1,02%, devido ao receio de que o Banco Central possa se tornar mais brando no combate à inflação a partir de 2025, quando os dirigentes indicados pelo governo Lula se tornarão maioria na instituição.

O que alimentou esses temores foi divisão de votos na reunião do Copom de quarta-feira (8), quando o colegiado se dividiu entre 5 votos a 4 pela pisada no freio.

Todos os cinco dirigentes que votaram por corte de 25 pontos-base foram indicados pelo governo anterior, enquanto os quatro diretores que defenderam corte de 50 pontos-base foram indicados pela administração Lula.

Conforme investidores locais continuam digerindo as perspectivas para o Banco Central, o clima externo oferecia alívio, disse Bergallo, apontando recente arrefecimento nos dados de emprego dos Estados Unidos.

Na semana passada, dados de abertura de vagas fora do setor agrícola vieram abaixo do esperado, enquanto, na véspera, uma leitura mostrou surpresa para cima nos pedidos de auxílio-desemprego.

“Isso novamente deu fôlego para o mercado voltar a acreditar em corte de juros por lá, agora no segundo semestre”, disse Bergallo.