Fragmentação política em Campina Grande expõe fragilidades e redefine o tabuleiro eleitoral na Paraíba
A disputa pelo Governo da Paraíba começa a ganhar contornos mais complexos em Campina Grande, segundo maior colégio eleitoral do estado, onde alianças tradicionais dão sinais de desgaste e novos arranjos políticos emergem em meio a incertezas e disputas internas.
Embora a eventual candidatura de Cícero Lucena seja respaldada por três nomes de peso da política paraibana — Cássio Cunha Lima, Veneziano Vital do Rêgo e Romero Rodrigues —, a sustentação desse bloco enfrenta desafios práticos no cenário local. A convergência entre esses líderes, que historicamente já estiveram em campos distintos, levanta dúvidas entre analistas sobre a coesão do grupo e, principalmente, sobre a capacidade de transferência efetiva de capital político para o eleitor campinense.
Fontes ligadas aos bastidores políticos indicam que há um descompasso entre o discurso público de unidade e a realidade das articulações locais. Lideranças comunitárias e intermediárias, fundamentais em campanhas proporcionais e majoritárias, ainda demonstram hesitação em aderir integralmente ao projeto, o que pode comprometer a capilaridade da campanha de Cícero na cidade.
Em paralelo, o vice-governador Lucas Ribeiro desponta como um nome em ascensão, beneficiado por uma articulação mais homogênea entre setores da oposição em Campina Grande. Sua estratégia tem sido pautada na ocupação de espaços deixados por adversários fragmentados, além de uma aproximação com grupos políticos que buscam renovação e maior protagonismo no cenário estadual.
Outro eixo central dessa reconfiguração envolve o prefeito Bruno Cunha Lima, cuja base política apresenta sinais claros de divisão. A adesão de dez vereadores à pré-candidatura de Efraim Filho, sob a liderança do presidente da Câmara, Saulo Germano, evidencia uma fissura relevante dentro do grupo governista municipal. Esse movimento não apenas enfraquece a capacidade de Bruno de atuar como fiador de uma candidatura única, mas também fortalece Efraim como uma alternativa viável no município.
A possível formalização desse apoio ganha ainda mais peso com o posicionamento do vice-prefeito Alcindor Vilarim, que já sinalizou alinhamento com a decisão de Bruno Cunha Lima, especialmente diante da hipótese de composição de chapa que contemple a primeira-dama como candidata a vice-governadora. Tal arranjo indicaria uma tentativa de manter coesão interna no grupo do prefeito, mesmo diante das deserções já observadas.
Nesse contexto, Campina Grande se consolida como um epicentro de disputas estratégicas, onde mais do que alianças formais, será determinante a capacidade de articulação territorial, mobilização de bases e construção de narrativas que dialoguem com o eleitorado local. A fragmentação atual não apenas amplia a imprevisibilidade do pleito, mas também abre espaço para reviravoltas, tornando o cenário eleitoral paraibano um dos mais dinâmicos do Nordeste.
À medida que o calendário eleitoral avança, a tendência é de intensificação das negociações, com possíveis recomposições e novos alinhamentos. Em um ambiente marcado por interesses múltiplos e lideranças com projetos próprios, a consolidação de candidaturas competitivas dependerá menos de apoios simbólicos e mais da capacidade real de agregar forças e garantir fidelidade política em um terreno cada vez mais volátil









